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20.03.2009 - EMERSON PIAI TRABALHA VISANDO A ELITE

Surfista encara rotina de treinos e acompanhamento psicológico em busca de seu lugar ao sol.

Surf é profissão e isso já não é mais novidade. E para se tornar um surfista profissional, é necessário percorrer um duro caminho. Aos 21 anos de idade, Emerson Piai não foge a regra. Treinamento diário, filmagens, análise de baterias, bate-papo com psicóloga, alimentação controlada, aulas de inglês e viagens são alguns dos compromissos que o jovem atleta assumiu desde que se profissionalizou, aos 18 anos.

Piai sabe que tudo muda quando vira profissional. “Quando você é amador, o surf não é levado tão a serio, é mais curtição de viajar, conhecer outros lugares. No profissional é diferente, existem mais regras e cobranças”. Outro fator que contribui para a construção de uma sólida carreira é a oportunidade de surfar boas ondas. Por esta razão, ele saiu de Praia Grande para morar no Guarujá, em 2001, cidades do litoral sul paulista. “Aqui treino em ondas mais consistentes e de melhor formação”.

Guarujá ainda era pouco. Assim que decidiu virar profissional, Emerson foi morar por dois anos na Austrália, uma das potências do surf mundial. Lá, ele treinou em ondas longas e perfeitas. “Isto faz com que você aprimore o surf de linha, cada vez mais dentro dos critérios. As ondas têm sessões de tubos e são bem cavadas. Dá para treinar a mesma manobra até que ela fique realmente boa”, conta Piai que ainda contabiliza viagens para Indonésia e Hawaii.

De volta ao Brasil em 2006, quando já havia completado 20 anos, o surfista deu início à sua carreira no surf competição. Mas foi só no último domingo deste ano (15/03), que Emerson Piai viu seu esforço ser recompensado. Na abertura da Seletiva Petrobras, conquistou o vice-campeonato na praia do Rosa, em Imbituba (SC). “Fui para esse campeonato bem focado e decidido que ia me dar bem. Só não imaginava que chegaria até a final. Esse resultado chegou em boa hora, logo no começo do ano e no Brasil Tour, que é meu principal objetivo”.

Piai já tem seu plano traçado. “Quero conquistar uma vaga para o SuperSurf e, futuramente, ser campeão brasileiro”. Dedicado aos seus treinos, ele começa a ver que está seguindo o caminho certo. “No ano passado não estava com pranchas boas e o meu psicológico estava ruim. Tudo começou a mudar do meio do ano em diante, quando iniciei o meu trabalho com a Gabi”, diz, referindo-se à psicóloga Gabriela Carrero, com quem se encontra semanalmente.

“Meu trabalho é focado na terapia esportiva e conversar com ela é ótimo. A Gabi conseguiu mostrar que sou tão bom quanto os outros atletas e que tenho condições de alcançar meus objetivos”. As pranchas do Emerson Piai também sofreram upgrade. “Estava com pranchas ruins até fechar um apoio com o shaper Ricardo Martins, no final do ano. Assim, comecei a obter resultados mais expressivos”. Entre as colocações de 2008 estão o nono lugar no catarinense, quinto no paulista profissional e uma vitória na Expression Session do campeonato WQS, em Ubatuba.

Influenciado pelo seu pai, Jorge Piai, o surfista deu suas primeiras remadas ainda garoto, e desde então, conta com a orientação do “velho”. “Meu pai, além de técnico de surf, é personal trainer. Nós fazemos um trabalho específico de baterias e filmagens na praia para depois analisarmos em casa. Fora isso, ainda faço musculação, ginástica funcional e aulas de inglês”.

Para completar o investimento na carreira da jovem promessa do surf brasileiro, Emerson faz parte da equipe de atletas da marca brasileira South to South. “Graças a eles consegui correr os campeonatos, viajar para evoluir meu surf. Eles sempre acreditam no meu potencial, dando todo suporte que preciso”.

Segundo Maurício Fagundes, diretor da marca, Piai tem um futuro promissor. “O Piai é muito educado e tem uma postura excelente que se identifica muito com a nossa filosofia. Possui um surf agressivo e com radicalidade dentro da água, e fora dela, mostra paz e sossego. O resultado na praia do Rosa foi muito importante para mostrar para ele mesmo, que ele pode e merece estar na elite. Tem surf para isso”.