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02.12.2008 - ALEMãO DE MARESIAS E SYLVIO MANCUSI VENCEM O RED NOSE TOW IN CHAMPIONSHIP

Em condições extremas, dupla supera grandes nomes da modalidade e sai da praia de Maresias como grande campeã

Terminou na última terça-feira, dia 18 de novembro, com a vitória da dupla local, Alemão de Maresias e Sylvio Mancusi, na lendária praia de Maresias, São Sebastião, o Red Nose Tow In Championship. Campeonato que reuniu a nata do surf de ondas gigantes no Brasil e que só aconteceria se uma ondulação de mais de 3 metros se fizesse presente na costa.

“Esta vitória foi maravilhosa, não poderia ter sido melhor”, comemorou o paranaense Edilson Luis da Assunção, mais conhecido por Alemão de Maresias, que mora na praia desde 1980. A janela de espera para a realização do evento começou no dia 1 de julho deste ano e se estenderia até o final do mês de novembro. E só na segunda metade do último mês é que as ondas deram as caras.

Os dois dias de competição vão ficar para a história do surf brasileiro com toda certeza. Os gráficos apontavam que uma forte ondulação, com origem primária de sul, iria atingir a região de São Sebastião, litoral norte de São Paulo, durante a segunda-feira, dia 17 e se estenderia pela terça, dia 18.

Não deu outra. Após uma tempestade arrasadora na manhã de segunda – razão pela qual o evento foi suspenso – as ondas, depois do meio dia, começaram a acertar. Eram três ou quatro metros de altura e formação regular, algumas fechavam, mas outras abriam paredes enormes e tubos assustadores.

Conforme o dia foi passando, a formação melhorou e o vento parou. Às 16 horas, o show começou pra valer. “Algumas ondas chegavam aos 5 metros de face, a ondulação estava bem definida, as séries tinham no mínimo 3 metros de altura. Melhorou um pouco na terça com a ondulação mais limpa e alinhada”, disse Alemão, um dos surfistas mais experientes do pico.

Na areia, os melhores brasileiros naquelas condições – lendas vivas como Carlos Burle, Eraldo Gueiros e Rodrigo Resende - observavam seus oponentes e vibravam a cada onda surfada. Dezenas de câmeras de foto e vídeo apontadas para o outside, atletas visivelmente ansiosos e os jornalistas do ramo com um sorriso de orelha a orelha. Parte da história do surf de ondas grandes no Brasil estava sendo feita ali.

Nesse cenário épico, Sylvinho e Alemão não decepcionaram. Na primeira fase do evento, em uma das baterias mais disputadas, Alemão começou como piloto, e logo de cara, colocou o Mancusi em uma direita das boas. Ele rabiscou a onda lá de fora, quando ela chegou na bancada, rodou perfeita. Silvinho andou no tubo o quanto pôde, ela apertou no fim, ele saiu na baforada e caiu.

Vale ressaltar que a maioria das duplas preferiu surfar bem em frente ao palanque, que estava posicionado entre o canto direito (Moreira) e o meio da praia. Já Alemão e Sylvinho ficaram bem à direita do palanque, próximos do famoso e temido Canto do Moreira. Infelizmente os juízes não viram essa onda, que com certeza foi a melhor da bateria.

Pouco tempo depois, agora mais próximos ao palanque, os dois começaram sua caçada interminável pelas melhores ondas. Um problema mecânico no jet-ski fez a dupla local aparecer de repente na areia, o que causou uma certa correria no pessoal da organização, mas logo eles já estavam num reserva à caminho do outside. Cada um pegou pelo menos duas ondas boas e a dupla avançou para a semifinal. “Estávamos muito para a direita e os juízes não viram nossa melhor onda, mesmo assim passamos”, contou Alemão.

Na semifinal, contra Yuri Soledade / Everaldo “Pato” Teixeira; Jorge Paccelli / Haroldo Ambrósio, mesmo ficando em segundo lugar, a dupla se classificou para a final no critério de desempate. “Pegamos boas ondas, coloquei o Sylvinho em uma da série, ele pegou um tubão, com os braços abertos e erguidos e saiu na baforada”.

Essa onda rendeu um 10 dos juízes e foi fundamental para a classificação da dupla Sylvio e Alemão para a final. Passavam não só os primeiros colocados, no caso Yuri Soledade e Pato, como o melhor segundo colocado das duas baterias semifinais.

Embalados e com total apoio da torcida, que carregou Alemão nos braços no fim da prova, os dois pegaram as melhores ondas da final e derrotaram sem nenhum questionamento, nada mais nada menos que, Carlos Burle / Eraldo Gueiros e Yuri Soledade / Everaldo “Pato” Teixeira.

Com a vitória a dupla embolsou R$ 8 mil e ganhou um jet-ski Yamaha zerado. “Dedico esse título a toda minha família, a Deus e ao falecido Zeca Scheffer. Estou muito feliz por ter vencido em casa, diante de meus amigos”, ressaltou o eufórico Alemão, atleta patrocinado pela marca brasileira South to South.